Nasr Chaul homenageia José Mendonça Teles em artigo em O Popular

O superintendente de Ação Cultural da Secretaria de Educação, Cultura e Esporte de Goiás (Seduce), Nasr Fayad Chaul, homenageou o escritor José Mendonça Teles em artigo publicado na edição do dia 30 de maio, no Jornal O Popular. José Mendonça Teles faleceu no dia 28 do mês passado, aos 82 anos.

O texto, que leva o título “Anfitrião da memória”, lembra o legado brilhante deixado pelo escritor e fala da saudade, já que Chaul e José compartilhavam amizade e a companhia. “Era um amigo de fé da minha terra, um parceiro de ideias em prol da cultura e, recentemente, também meu confrade na AGL”.

Confira na íntegra o artigo:

 

Anfitrião da memória

Abril, mesmo com sua luminosidade tradicional, findou com uma penumbra em nossos corações: José Mendonça Teles foi iluminar outras paisagens. Deixa um vazio enorme por todo o nosso Goiás, deixa um legado maravilhoso em nossas dimensões culturais, deixa em mim uma saudade brejeira, pois era um amigo de fé da minha terra, um parceiro de ideias em prol da cultura e, recentemente, também meu confrade na AGL.

José Mendonça Teles não parava. Terminava um livro com os olhos já vidrados em outro, comichão de pesquisa em todos os poros e pensamento grudado na produção. Navegava pelos rios goianos da cultura entre a poesia, conto, romance, dicionário, hinos, artigos e história. Tirou do forno da memória uma pesquisa de mais de dez anos sobre a passagem da Coluna Prestes por Goiás, e me deu a honra de prefaciá-la.

Ao longo do tempo foi nos ofertando, como resultado de seu trabalho de pesquisa, documentos de vital importância para a história de Goiás, trazendo à luz os encantos do passado, por vezes perdidos no escuro do tempo, no arsenal sombrio da desesperança dos descuidados. Foi sempre um intelectual incansável no resgate de nossa memória. Do Matutina Meiapontense, passando por Alencastre e Cunha Mattos até a Revista Oeste, além das imprescindíveis Memórias Goianas, José Mendonça Teles sempre se preocupou em socializar a documentação sobre Goiás, ofertando-a generosamente aos investigadores do passado, aos pesquisadores do presente, aos inventores do futuro. Coordenou a vinda da documentação goiana do Conselho Ultramarino/Brasil, vinda de Lisboa e digitalizado pelo Ministério da Cultura através do Projeto Resgate. Sua obra e o resgate documental que sempre nos proporcionou são dignos do aplauso e da gratidão das gerações.

Tinha em sua trajetória amorosa dois grandes amores em incontáveis publicações: Campinas e Goiânia. Era Pedro Ludovico e Joaquim Lúcio, Atlético Goianiense e mais nenhum outro, mas fazia questão de amar as duas cidades pois sabia que Goiânia, mesmo edificada sob o manto do progresso, na modernidade do Art Déco da época, estava cravada no interior campineiro. Mendonça Teles, nosso querido Zé, dedicou uma boa parte de seus escritos dividindo-se, entre elas, por livros, poemas, artigos, sem jamais desprezar o interior goiano, o rio Araguaia, suas queridas Vila Boa e Meia Ponte. Por tudo isso e muito mais, este passageiro da bondade humana será sempre nosso “anfitrião da memória”!

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