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Questionário aplicado pela Seduc revela expectativas dos estudantes sobre novo Ensino Médio

educacao
9 de outubro de 2019

Projeto de Vida, formação técnica e profissional e preparação para o Enem e o mercado são as principais demandas

A Secretaria de Estado da Educação de Goiás (Seduc) aplicou um questionário de escuta com mais de 45 mil alunos do 9º ano do Ensino Fundamental e da 1ª, 2ª e 3ª séries do Ensino Médio para conhecer o perfil dos estudantes e as expectativas deles em relação ao novo Ensino Médio. A implementação do novo modelo irá começar em Goiás no início do próximo ano.

Conforme a Lei nº 13.415/2017, a carga horária total dos três anos do Ensino Médio será ampliada de 2.400 para 3.000 horas, e a organização curricular, flexibilizada para incluir uma Base Nacional Curricular Comum (BNCC) (disciplinas obrigatórias) e os itinerários formativos (disciplinas optativas que o aluno vai escolher segundo seus interesses). Assim, deverão ser lecionadas 1.000 horas de aula anuais, em vez de 800 horas, distribuídas em 5 horas diárias para as escolas de período parcial.

Mercado de trabalho

Entre os principais motivos de os alunos cursarem o Ensino Médio, se destacam o desejo de ingressar na faculdade e ter um bom emprego futuramente. Segundo a gerente de Ensino Médio da Seduc, Itatiara Teles de Almeida, o programa do novo Ensino Médio vai ao encontro dessas expectativas, uma vez que prevê o desenvolvimento de um projeto de vida, para que o adolescente conheça suas próprias habilidades e faça um plano para sua trajetória acadêmica e profissional.

Além disso, a possibilidade de o aluno escolher algumas disciplinas que irá cursar, de acordo com seu perfil e aspirações, pode prepará-lo melhor para o futuro. “Agora todas as nossas escolas, a partir de 2020, terão o componente curricular Projeto de Vida, que tem como objetivo principal dar ao estudante subsídios para pensar nas suas escolhas, no mundo do trabalho, na sua profissão”, relatou Itatiara de Almeida.

Segundo o questionário, 88% dos estudantes têm interesse em destinar um tempo específico das aulas para o Projeto de Vida. “Além do Projeto de Vida, a legislação determina que as redes ofertem as disciplinas eletivas. Nós vamos fazer um cardápio de eletivas, encaminhar para as escolas para fornecê-las aos estudantes, dentro desta visão de preparar o jovem para prosseguir os estudos e escolher a sua profissão”.

Estudantes em aulão preparatório para o Enem, em Trindade

Escolha das eletivas

Quanto ao momento de escolha das disciplinas eletivas, a maior parte dos alunos questionados afirmaram preferir fazer a escolha no começo do Ensino Médio (38%). Outros 30% gostariam de escolher somente depois de terem mais certeza sobre o futuro e 24% depois de conhecerem melhor as possibilidades.

Formação técnica e profissional

Em relação à área de conhecimento em que os alunos pretendem se aprofundar, a maioria tem interesse na formação técnica e profissional (41%). Em ordem decrescente, as demais áreas visadas são Ciências da Natureza, Matemática, Ciências Humanas e Linguagens.

A gerente de Ensino Médio lembra que a formação técnica e profissional do novo Ensino Médio não contém carga horária suficiente para garantir um certificado de curso técnico. “O quinto itinerário sozinho não forma um curso técnico-profissional. São disciplinas voltadas para despertar no jovem o interesse para o mundo do trabalho ou para instrumentalizá-lo. É permitido também que o estudante faça a carga horária correspondente a esse quinto itinerário em instituições de curso técnico”, esclareceu Itatiara de Almeida.

Sobre essa flexibilização quanto ao local de estudos e oferta de disciplinas, a superintendente de Ensino Médio, Osvany da Costa Gundim Cardoso, afirmou que a Seduc tem parceria com Institutos Tecnológicos do Estado de Goiás (Itegos) e está formando, ainda, novas parcerias, a fim de proporcionar aos alunos da rede estadual oportunidades de formação técnica e profissional.

A superintendente também informou que a formação técnica será voltada para os interesses e especificidades de cada região. “Por exemplo, em Ceres, onde o foco é saúde, nós trabalharíamos dentro desse eixo: saúde. Já em outra cidade, onde é mineração, nós podemos desdobrar o itinerário nessa direção”.

Alunos em aula expositiva preparatória para o Enem, em Trindade

Turno noturno

De acordo com a pesquisa, o turno noturno é o segundo de maior interesse por parte dos estudantes (25%), perdendo para o matutino (51%). A superintendente explicou que a Seduc ainda estuda como fazer a adequação do período noturno no novo Ensino Médio.

Já que é inviável oferecer 5 horas diárias nesse turno, a Secretaria Estadual de Educação cogita providenciar disciplinas de Ensino à Distância (EaD) ou distribuir as matérias obrigatórias entre os três anos do Ensino Médio de uma forma que sobre mais tempo para as eletivas.